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Atuação

Defesa em execução de dívida bancária

A partir da citação o relógio é processual, não comercial. Prazo de embargos e resposta a bloqueio correm em dias — e quase tudo que se perde aqui não volta.

Resposta direta

Execução de dívida bancária é o processo em que o credor cobra um título com força executiva — CCB, contrato com garantia, confissão de dívida — e pede atos diretos sobre o patrimônio: bloqueio de conta por Sisbajud, penhora de bens e recebíveis, restrição de veículo por Renajud, indisponibilidade de imóveis. A defesa se faz por embargos, no prazo contado da intimação, e por pedidos imediatos de desbloqueio do que é impenhorável.

Janela crítica após um bloqueio de conta
48hJanela crítica após um bloqueio de conta
Sistemas de constrição que o juízo aciona
6Sistemas de constrição que o juízo aciona

Conta bloqueada: o que fazer nas primeiras 48 horas

O bloqueio por Sisbajud chega sem aviso e atinge o saldo disponível em todas as instituições. As primeiras horas definem o tamanho do estrago, porque é nelas que se separa o que é penhorável do que não é — e o que não for pedido rápido tende a ser transferido para a conta judicial.

Identificar o processo antes de ligar para o banco
O gerente não desbloqueia nem sabe o motivo: a ordem é judicial. O que importa é localizar o processo, o juízo e o valor da ordem.
Separar o que é impenhorável
Valores destinados a salários e verbas de natureza alimentar têm proteção legal, e recursos de conta vinculada a finalidade específica podem ter tratamento próprio. Isso se demonstra com documento, não com alegação.
Verificar excesso e duplicidade
Bloqueio acima do valor executado e bloqueios simultâneos em várias instituições pelo mesmo débito são frequentes, e o desbloqueio do excesso costuma ser a medida mais rápida de obter.
Proteger a folha antes do vencimento
Demonstrar ao juízo que o valor bloqueado corresponde à folha do mês, com a documentação trabalhista, é um dos pedidos com maior chance de acolhimento imediato.
Conferir se a ordem é repetida
O chamado bloqueio em modo de repetição mantém a busca ativa por período determinado, atingindo valores que entrarem depois. Saber se é o caso muda toda a gestão de caixa da empresa naquele mês.

O que pode e o que não pode ser penhorado

A execução alcança o patrimônio, mas não de forma ilimitada. Existem bens protegidos por lei e existe o princípio de que a execução se faz pelo modo menos gravoso ao devedor — o que, numa empresa em atividade, tem consequência prática direta.

Bem de família tem proteção própria, com exceções relevantes quando o imóvel foi dado em garantia da dívida. Máquina essencial à atividade e estoque em giro admitem discussão sobre a forma da constrição: penhora que paralisa a produção costuma ser questionável justamente porque destrói a fonte de pagamento.

Penhora de faturamento tem regra própria: percentual limitado, nomeação de administrador e prestação de contas. Executada fora desses parâmetros, é impugnável.

Busca e apreensão de veículo ou máquina

Em alienação fiduciária, a liminar de busca e apreensão é concedida com facilidade a partir da comprovação da mora. A defesa raramente é discutir a existência da dívida: é discutir a mora, a notificação e o valor exigido para retomar o bem.

Notificação defeituosa, valor de purgação calculado com encargos cumulados e ausência de comprovação regular da constituição em mora são os pontos que efetivamente mudam o resultado — e todos dependem de agir dentro do prazo legal, que é curto.

Os sistemas que o juízo usa para encontrar patrimônio

Saber como a constrição chega ajuda a antecipar. Não se trata de esconder bens — trata-se de saber o que será alcançado, em que ordem, e o que precisa ser protegido por meio legítimo antes disso.

Sisbajud
Bloqueio de saldo em conta em todas as instituições, com possibilidade de busca repetida ao longo de um período.
Renajud
Restrição de transferência, licenciamento e circulação de veículos em nome da empresa ou do avalista.
Infojud e ReceitaJud
Acesso a declarações fiscais, que revelam bens, participações e movimentação.
CNIB
Indisponibilidade de imóveis, averbada nas matrículas em todo o país.
Serasajud
Negativação determinada judicialmente, com efeito direto sobre o crédito da empresa.
Sniper
Cruzamento de bases para mapear vínculos societários e patrimoniais a partir de dados já públicos ao juízo.
Como funciona

Da citação à defesa, na ordem em que acontece

  1. 01
    Dia 0

    Citação ou constrição

    A empresa é citada, ou descobre a execução pelo bloqueio. Localizar o processo e o valor executado é o primeiro ato.

  2. 02
    48 a 72 horas

    Medidas imediatas

    Pedido de desbloqueio do que é impenhorável ou excedente, proteção da folha e, quando cabível, substituição da constrição por bem menos gravoso.

  3. 03
    Primeiras semanas

    Auditoria do título executado

    Recálculo do valor cobrado: cumulação de encargos, capitalização, taxa fora da média. Excesso de execução é matéria de embargos.

  4. 04
    Prazo legal, contado da intimação

    Embargos à execução

    Defesa formal, com o laudo, discutindo título, valor e atos de constrição. O prazo corre da intimação e não se prorroga por negociação em curso.

  5. 05
    Ao longo do processo

    Negociação a partir dos autos

    Com excesso demonstrado e constrição discutida, a conversa com o credor muda de patamar. Acordo em execução é frequente, e melhor com defesa apresentada.

Para quem é este trabalho

O escritório atende

  • Empresa citada em execução de CCB, contrato de capital de giro ou confissão de dívida.
  • Conta bloqueada por ordem judicial, com folha de pagamento a vencer.
  • Penhora sobre estoque, maquinário ou faturamento que inviabiliza a operação.
  • Busca e apreensão de veículo ou máquina alienada fiduciariamente.
  • Sócio avalista incluído no polo passivo, com bens pessoais atingidos.

Não é o caso quando

  • Quem procura forma de ocultar patrimônio. Não é o que o escritório faz, e agrava o caso.
  • Execução já encerrada com bem adjudicado e prazos esgotados, sem fato novo.
Vocabulário

Os termos que aparecem nesta conversa

Sisbajud
Sistema de busca de ativos do Poder Judiciário, que bloqueia saldo em conta em todas as instituições financeiras por ordem judicial.
Título executivo extrajudicial
Documento ao qual a lei confere força de execução direta, sem processo de conhecimento prévio. CCB e contratos bancários com os requisitos legais entram nessa categoria.
Excesso de execução
Cobrança de valor maior que o efetivamente devido. É matéria de embargos e exige demonstração por cálculo.
Purgação da mora
Pagamento que afasta o inadimplemento e permite retomar o bem em busca e apreensão. O valor exigido pode ser discutido quando embute encargos indevidos.
Impenhorabilidade
Proteção legal que retira certos bens e valores do alcance da execução, como verbas de natureza alimentar e o bem de família, com exceções previstas em lei.

Perguntas frequentes

O banco bloqueou a conta da empresa. Dá para desbloquear?

Depende do que foi bloqueado. Valor que excede o executado, verba de natureza alimentar e bloqueio duplicado em várias instituições são os pedidos com resposta mais rápida. A decisão é do juízo, e o que sustenta o pedido é documento: folha de pagamento, extrato e demonstração do excesso.

Quanto tempo tenho para me defender?

O prazo de embargos corre da intimação e é curto. Negociação paralela com o credor não suspende esse prazo, e é um erro comum: a empresa conversa com o banco, o prazo passa, e a defesa fica muito mais estreita.

O banco pode penhorar o faturamento da empresa?

Pode, em percentual limitado e com regras próprias — nomeação de administrador e prestação de contas. Penhora de faturamento em percentual que inviabiliza a operação é impugnável, justamente porque destrói a fonte de pagamento da própria dívida.

Os bens do sócio avalista podem ser atingidos?

Sim, quando ele assinou como avalista ou devedor solidário. O aval é obrigação pessoal e autônoma: o credor cobra do avalista sem precisar esgotar o patrimônio da empresa. Por isso a exposição pessoal é levantada logo no início do trabalho.

A empresa pode perder o imóvel dado em garantia?

Imóvel dado em alienação fiduciária ou hipoteca está vinculado à dívida, e a proteção do bem de família tem exceção quando o próprio bem foi oferecido em garantia. O que se discute nesses casos é o procedimento, o valor e a regularidade da constituição em mora.

Posso negociar depois que a execução começou?

Pode, e frequentemente é quando o credor fica mais disposto — desde que a defesa esteja apresentada e o excesso demonstrado. Acordo feito antes disso costuma ser sobre o valor que o credor apresentou, com renúncia às discussões que a empresa nem chegou a fazer.

Janaína Issa Gomes
Quem responde por esta atuação

Janaína Issa Gomes

Advogada fundadora · OAB 124.655/MG

Advogada inscrita na OAB sob o nº 124.655/MG, dedicada ao direito bancário empresarial. Atua na auditoria de contratos bancários, na gestão e reestruturação de passivos e na proteção patrimonial de empresas com dívidas acima de R$ 100 mil. Escritório em Belo Horizonte, com atendimento em todo o Brasil.

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