Calculadora de juros abusivos — com a taxa média do Banco Central.
A taxa que importa não é a que o banco anunciou: é a que o contrato cobra. Informe o que caiu na conta, a parcela e o prazo — a conta sai na hora, comparada com a média da modalidade que o Banco Central publica.
Grátis, sem cadastro, sem e-mail. O cálculo roda no seu navegador e nada é enviado.
Para calcular se os juros de um contrato são abusivos, você precisa de dois números: a taxa efetiva que o contrato realmente cobra e a taxa média que o Banco Central publica para aquela modalidade no período da contratação. A taxa efetiva se obtém do fluxo real — valor liberado, valor da parcela e prazo —, não da taxa anunciada. A comparação entre as duas é o que a jurisprudência aceita como indício objetivo de abusividade.
Preencha o valor liberado, a parcela e o prazo. O resultado aparece aqui na hora, sem enviar nada.
Como calcular abusividade em contratos bancários
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Separe o valor que realmente caiu na conta
Não é o valor do contrato: é o líquido liberado. Tarifa de cadastro, IOF, seguro prestamista e registro costumam ser somados ao principal e financiados junto — você paga juros sobre dinheiro que nunca recebeu.
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Anote o valor da parcela e o número de parcelas
A parcela cheia, com tudo que é cobrado junto dela. Se as parcelas variam, use a média e trate o resultado como aproximação.
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Calcule a taxa efetiva a partir do fluxo
É a taxa que faz o valor presente das parcelas igualar o valor liberado — a mesma lógica da TIR. É esse número que importa, e ele quase nunca é igual à taxa anunciada na proposta.
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Descubra a taxa média da modalidade no período
O Banco Central publica a série por modalidade e por mês. Capital de giro não se compara com conta garantida, e a referência tem de ser a do mês da contratação, não a de hoje.
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Compare, e entenda o que a diferença significa
Taxa acima da média não é automaticamente abusiva: o mercado tem dispersão legítima e risco maior justifica preço maior. O que a distância indica é se vale examinar o contrato inteiro — encargos do atraso, cumulação de comissão de permanência, capitalização e tarifas.
Taxa média do Banco Central por modalidade — 07/2026
Última taxa média publicada pelo Banco Central para cada modalidade de crédito a pessoa jurídica. É a referência que a calculadora usa, e a mesma que sustenta a comparação num laudo de auditoria.
| Modalidade | % ao mês | % ao ano | Referência | Onde costuma doer |
|---|---|---|---|---|
| Capital de giro (acima de 365 dias) | 1,78% | 23,6% | 07/2026 | A modalidade mais comum no passivo empresarial, e a que mais aparece auditada. |
| Capital de giro (até 365 dias) | 1,26% | 16,2% | 07/2026 | Prazo curto costuma sair mais caro e é onde a rolagem sucessiva se esconde. |
| Conta garantida | 3,85% | 57,4% | 07/2026 | Rotativo que se renova sozinho: o custo real aparece na soma do ano, não na fatura. |
| Cheque especial PJ | 13,48% | 356,1% | 07/2026 | O crédito mais caro que uma empresa usa sem perceber que está usando. |
| Cartão de crédito parcelado PJ | 3,79% | 56,3% | 07/2026 | Parcelamento automático de fatura costuma embutir taxa que ninguém contratou explicitamente. |
| Desconto de duplicatas e recebíveis | 1,36% | 17,6% | 07/2026 | O deságio é a taxa. Comparar exige transformar desconto em juro, que é o que a conta faz. |
| Antecipação de faturas de cartão | 1,36% | 17,6% | 07/2026 | Liquidez imediata com custo que raramente é comparado ao de um capital de giro. |
| Aquisição de veículos | 1,45% | 18,9% | 07/2026 | Com alienação fiduciária, a garantia é boa e a taxa deveria refletir isso. |
| Leasing de veículos | 1,44% | 18,7% | 07/2026 | O valor residual garantido cobrado de forma antecipada distorce o custo real. |
| Financiamento imobiliário PJ | 0,74% | 9,3% | 07/2026 | Prazo longo faz diferença pequena de taxa virar diferença grande de total pago. |
Fonte: Banco Central do Brasil, Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS), taxas de juros de operações de crédito — pessoa jurídica. Séries de recursos direcionados são publicadas ao ano e aparecem aqui convertidas para taxa mensal equivalente.
O que esta calculadora faz
- Calcula a taxa efetiva do contrato a partir do fluxo real de parcelas.
- Calcula o custo efetivo total quando você informa os custos embutidos.
- Compara com a taxa média que o Banco Central publica para a modalidade.
- Mostra a divergência entre a taxa informada pelo banco e a que a conta revela.
- Indica o tamanho da distância — e se ela justifica examinar o contrato inteiro.
O que ela não faz
- Não verifica cumulação de comissão de permanência com outros encargos.
- Não identifica capitalização indevida nem multa acima do limite.
- Não examina tarifas sem contrapartida nem seguro imposto como condição.
- Não analisa garantias, aval do cônjuge ou cláusula de vencimento antecipado.
- Não substitui laudo de auditoria, nem serve como prova em processo.
Essa divisão é honesta de propósito. A taxa é uma das quatro frentes que uma auditoria verifica, e costuma ser a menor delas: na prática, a maior diferença entre o saldo cobrado e o devido aparece nos encargos da inadimplência. Uma calculadora não enxerga isso — quem enxerga é quem lê o contrato inteiro com a memória de cálculo ao lado.
Os termos que aparecem no cálculo
- Taxa efetiva
- A taxa que o contrato realmente cobra, obtida do fluxo de caixa (valor liberado, parcelas e prazo). Difere da taxa nominal anunciada sempre que há custo embutido ou capitalização diferente da informada.
- Custo efetivo total (CET)
- Percentual que reúne juros, tarifas, tributos e seguros da operação. É o custo real do crédito e o único número comparável entre propostas de bancos diferentes.
- Taxa média do Banco Central
- Série pública com a taxa média praticada pelo mercado em cada modalidade de crédito, mês a mês. É a referência objetiva usada para demonstrar que a taxa de um contrato destoa do mercado.
- Excesso sobre a média (over-rate)
- Quanto a taxa do contrato supera a média da modalidade, em percentual. Uma taxa de 2,04% a.m. contra média de 1,70% a.m. representa excesso de 20%.
- Comissão de permanência
- Encargo cobrado no período de inadimplência. Não pode ser cumulado com juros remuneratórios, correção monetária, multa ou juros de mora — e a cumulação não aparece nesta calculadora, só na auditoria do contrato.
Perguntas frequentes
Como calcular se os juros do meu contrato são abusivos?
Calcule a taxa efetiva a partir do fluxo real do contrato — valor liberado, valor da parcela e número de parcelas — e compare com a taxa média que o Banco Central publica para aquela modalidade no mês da contratação. A taxa efetiva é a que faz o valor presente das parcelas igualar o valor que caiu na conta, e costuma ser maior que a taxa anunciada. A comparação com a série pública é o indício objetivo que a jurisprudência aceita.
A calculadora é gratuita mesmo? Precisa de cadastro?
É gratuita e não pede cadastro, e-mail ou telefone. O cálculo roda inteiramente no seu navegador: os números que você digita não são enviados para nenhum servidor, não ficam gravados e não são compartilhados.
Taxa acima da média do Banco Central é sempre abusiva?
Não. O mercado tem dispersão legítima e risco de crédito maior justifica preço maior — empresa sem garantia paga mais que empresa com imóvel em alienação fiduciária, e isso é normal. O que a jurisprudência examina é a distância: taxa muito acima da média da modalidade, sem justificativa documentada de risco, é o indício clássico de abusividade.
Qual a diferença entre taxa nominal, taxa efetiva e CET?
A taxa nominal é a anunciada na proposta. A taxa efetiva é a que o fluxo do contrato realmente cobra, considerando a capitalização. O CET inclui, além dos juros, tarifas, tributos e seguros — é o custo real. Os três podem ser bem diferentes no mesmo contrato, e é comum o CET ficar vários pontos acima da taxa anunciada.
De onde vêm as taxas médias usadas na comparação?
Do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central, que publica a taxa média por modalidade de crédito mensalmente. São dados públicos e abertos. A página mostra o mês de referência de cada série, e as séries de recursos direcionados, publicadas ao ano, são convertidas para taxa mensal.
A calculadora serve para contrato de pessoa física?
A aritmética é a mesma, mas as séries usadas aqui são as de pessoa jurídica — e a lógica jurídica é outra: contrato empresarial não conta, em regra, com a proteção da relação de consumo. O escritório atende empresas, com passivo bancário acima de R$ 100 mil.
O que a calculadora não faz?
Não verifica cumulação de comissão de permanência com outros encargos, capitalização indevida, multa acima do limite, tarifas sem contrapartida, garantias desproporcionais nem cláusulas de vencimento antecipado. Nenhuma dessas aparece no fluxo de parcelas, e é frequentemente nelas que está a maior diferença entre o saldo cobrado e o devido.
Encontrei uma taxa muito acima da média. E agora?
O número sozinho não move o banco. O que move é o laudo: recálculo do contrato, comparação com a série do período, verificação dos encargos e demonstração da diferença entre o saldo cobrado e o devido. É esse documento que sustenta a negociação e, quando necessário, a ação revisional.
Posso usar esse cálculo em um processo?
Como ponto de partida, sim; como prova, não. Em juízo, a prova é a perícia contábil, e a petição precisa ser instruída com o contrato, a evolução do saldo e o laudo técnico. A calculadora indica se vale examinar o contrato de perto — quem faz o exame é a auditoria.
O que fazer com uma taxa fora da curva
Auditar o contrato inteiro
As outras três frentes que a calculadora não vê — encargos, cumulação, capitalização — e o laudo que quantifica a diferença.
Discutir em juízo
Quando a distorção é grande e o banco não responde tecnicamente ao laudo, a revisional é a via que produz resposta.
Tratar o passivo inteiro
Se são vários contratos em vários bancos, o cálculo de um só resolve pouco: a estratégia é por carteira.
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A ferramenta é gratuita e continua sendo. Se ela te deu clareza sobre o seu contrato, deixar uma avaliação sobre a Issa Law é o que faz ela aparecer para quem está no mesmo problema e ainda não sabe que essa conta existe.
Ferramenta mantida pela Issa Law, sob responsabilidade técnica de Janaína Issa Gomes, OAB 124.655/MG. O cálculo usa dados públicos do Banco Central e é informativo: não constitui parecer jurídico nem análise de caso concreto, e o resultado depende inteiramente dos números informados por quem usa. Conteúdo em conformidade com o Código de Ética e o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB.
