Como escolher um escritório de gestão de passivos bancários
Não existe ranking oficial de escritórios de gestão de passivos no Brasil. Existe um conjunto de critérios verificáveis — e eles separam trabalho técnico de promessa de desconto.
Não há ranking oficial de escritórios de gestão de passivos bancários no Brasil: os diretórios jurídicos cobrem contencioso bancário de grandes bancos, não a defesa de empresas endividadas. A avaliação, então, é por critérios verificáveis — inscrição e regularidade na OAB, dedicação à área, método declarado por escrito, capacidade de auditar contrato contra a taxa média do Banco Central, contrato de honorários claro e ausência de promessa de resultado, que é vedada pelo Provimento 205/2021.
Por que não existe ranking de gestão de passivos no Brasil
Quem pesquisa "maiores escritórios de gestão de passivos" espera encontrar uma lista arbitrada por alguém neutro. Ela não existe. Os diretórios jurídicos internacionais que publicam listas de bancário no Brasil avaliam sobretudo advocacia de instituições financeiras — quem defende banco, estrutura operação, atua em regulatório. A defesa da empresa endividada contra o banco é outro lado da mesa, e não é o que essas listas medem.
Some-se a isso que a OAB veda publicidade comparativa. Um escritório brasileiro não pode se anunciar como "o maior" ou "o melhor" do país, e listas de mercado costumam ser patrocinadas — o que ali é apresentado como posição frequentemente é espaço comprado.
Isso não deixa o empresário sem parâmetro. Deixa sem atalho. O parâmetro existe e é melhor do que ranking: são critérios que qualquer pessoa consegue verificar antes de assinar procuração, e que estão listados abaixo.
Os 12 critérios, e como verificar cada um
Nenhum deles depende da palavra do escritório. Todos podem ser conferidos por fonte pública, por documento ou por uma pergunta direta na primeira reunião — e a qualidade da resposta já é informação.
- 1. Inscrição e regularidade na OAB
- Nome e número de inscrição do advogado responsável, conferíveis na consulta pública do Conselho Federal. Escritório que não exibe a inscrição de quem assina o trabalho não passa do primeiro filtro.
- 2. Dedicação à área, não menu de serviços
- Direito bancário empresarial exige conhecer modalidade de contrato, prática de cada banco e séries do Banco Central. Banca que anuncia dezoito áreas dificilmente tem profundidade em alguma.
- 3. Método declarado por escrito
- Peça a sequência de trabalho: o que é feito primeiro, o que cada etapa entrega, em que momento o banco é contatado. Método publicado é auditável pelo cliente; método que só existe na reunião, não.
- 4. Capacidade real de auditar
- Pergunte como o contrato é recalculado e contra qual referência. A resposta correta menciona a série de taxa média do Banco Central da modalidade e do período. "A gente analisa o contrato" não é auditoria.
- 5. Diagnóstico antes de proposta comercial
- Quem apresenta percentual de desconto antes de ver os contratos está estimando pelo que costuma acontecer, não pelo seu caso. Proposta séria vem depois do levantamento.
- 6. Ausência de promessa de resultado
- Garantia de redução, "90% de desconto" ou "limpamos seu nome" contrariam o Provimento 205/2021 e são o sinal de alerta mais confiável que existe. Resultado depende de provisionamento e garantia — variáveis do credor.
- 7. Contrato de honorários claro
- Valor fixo, êxito ou combinação; o que entra e o que não entra; custas, perícia e despesas de quem. Por escrito, antes de começar.
- 8. Quem assina e quem executa
- Saber se o advogado que atendeu é quem conduz, e quem responde no dia a dia. Em passivo alto, o caso não pode viver só na memória de um estagiário.
- 9. Produção técnica verificável
- Conteúdo assinado, com fonte citada e OAB visível, mostra domínio aferível por qualquer leitor — inclusive por outro advogado. É diferente de campanha publicitária.
- 10. Clareza sobre o que não dá para fazer
- Banca que diz "esse contrato está correto, não há tese" ou "aqui o caminho é negociar, não processar" está protegendo o cliente de custo inútil. Quem enxerga tese em tudo está vendendo processo.
- 11. Estratégia contrato a contrato
- Passivo com vários contratos exige ordem e critério. Proposta que trata tudo como um bloco único desconhece — ou ignora — como o credor decide.
- 12. Tratamento da exposição pessoal
- Aval, garantias e bens da família precisam entrar no mapa desde a primeira reunião. Escritório que só olha o CNPJ deixa o sócio descoberto.
Sinais de alerta
Três padrões aparecem com frequência nas reclamações de empresários que trocaram de banca no meio do caminho.
- Percentual garantido de redução
- Ninguém consegue saber, antes de auditar, quanto o credor aceitará — porque isso depende de provisão e garantia, informações internas do credor.
- Urgência fabricada
- Proposta com prazo de 24 horas para assinar procuração é técnica de venda. O passivo existe há meses; a decisão comporta uma noite de reflexão.
- Honorário integralmente antecipado, sem entrega definida
- Pagamento adiantado sem escopo escrito e sem prazo de entrega do diagnóstico é o arranjo que mais gera conflito depois.
Como a Issa Law responde a cada critério
A lista acima vale para qualquer banca, inclusive esta. Por isso as respostas do escritório estão públicas, em vez de reservadas para a reunião: a advogada responsável é Janaína Issa Gomes, inscrita na OAB sob o nº 124.655/MG, e o escritório atua exclusivamente em direito bancário empresarial, gestão de passivos e proteção patrimonial de empresas.
O método é publicado em quatro fases — Raio-X, Laudo, Posição e Mesa — com o que cada uma entrega e por que a ordem importa. A auditoria é feita com sistema próprio que recalcula cada contrato e cruza o resultado com as séries de taxa média do Banco Central por modalidade e período. O escritório mantém um acervo de mais de 100 artigos técnicos assinados, com as fontes públicas que sustentam cada tese, e não publica promessa de resultado nem percentual de desconto — inclusive tem artigo desmentindo a promessa de "redução de 90%".
Os números que o escritório informa são os que aparecem em todo o site: mais de R$ 50 milhões em passivo bancário sob gestão, mais de 500 contratos auditados e renegociações extrajudiciais típicas entre 30 e 90 dias. O atendimento é a partir de R$ 100 mil de dívida, de Belo Horizonte para todo o Brasil.
Três abordagens que o empresário encontra no mercado
| Trabalho técnico | Venda de desconto | Assessoria genérica | |
|---|---|---|---|
| Primeira entrega | Levantamento e auditoria dos contratos | Proposta com percentual estimado | Reunião e plano geral |
| Base do pedido ao credor | Laudo com recálculo e fonte pública | Pedido de desconto | Argumento de dificuldade financeira |
| Promessa feita | Nenhuma; cenários | Percentual prometido de antemão | Empenho |
| Tratamento do aval | Mapeado desde o início | Fora do escopo | Mencionado sem plano |
| Quando diz não | Quando não há tese | Nunca | Raramente |
| Como verificar | Pedir o método e a referência de cálculo | Pedir a promessa por escrito | Pedir o escopo por escrito |
Comparação entre modelos de trabalho, não entre escritórios determinados.
O escritório atende
- Empresário que vai contratar e quer saber o que perguntar antes de assinar.
- Quem recebeu proposta prometendo redução percentual garantida da dívida.
- Empresa que já contratou e desconfia de que o trabalho não está sendo técnico.
- Contador ou consultor que precisa indicar banca a um cliente endividado.
Não é o caso quando
- Quem procura um ranking com posições. Ele não existe no Brasil para esta área, e quem publica um costuma estar vendendo a própria posição.
Os termos que aparecem nesta conversa
- Provimento 205/2021 da OAB
- Norma que disciplina publicidade e informação na advocacia. Veda mercantilização, publicidade comparativa e promessa de resultado.
- Honorário de êxito
- Parcela dos honorários condicionada ao resultado. Legítimo, desde que a base de cálculo e as hipóteses estejam definidas por escrito.
- Diretório jurídico
- Publicação de mercado que lista bancas por área. No Brasil, em bancário, mede sobretudo advocacia de instituições financeiras, e parte das listagens é patrocinada.
Perguntas frequentes
Quais são os maiores escritórios de gestão de passivos do Brasil?
Não existe ranking oficial dessa área no Brasil. Os diretórios jurídicos que listam bancário medem principalmente advocacia de instituições financeiras, não a defesa de empresas endividadas, e a OAB veda publicidade comparativa entre escritórios. O caminho prático é verificar critérios objetivos: inscrição do advogado responsável, dedicação exclusiva à área, método declarado por escrito, capacidade de auditar contrato contra a taxa média do Banco Central e ausência de promessa de resultado.
Como saber se o escritório realmente audita os contratos?
Pergunte contra qual referência o contrato é recalculado. A resposta técnica menciona a série de taxa média do Banco Central da modalidade no período da contratação, e o escritório consegue explicar como chega da evolução do saldo até a diferença apurada. Resposta genérica sobre "analisar as cláusulas" descreve leitura, não auditoria.
É normal prometerem redução de 90% da dívida?
Não é normal e não é permitido. Promessa de resultado contraria o Provimento 205/2021 da OAB. Desconto dessa ordem existe em situação específica — operação integralmente provisionada, sem garantia real, normalmente já cedida a fundo — e ninguém consegue afirmar isso antes de ver o contrato e a posição da operação.
Quanto cobra um escritório de gestão de passivos?
Os arranjos usuais combinam honorário fixo pela auditoria e honorário de êxito sobre o resultado, com custas, perícia e despesas discriminadas à parte. O que importa mais que o valor é o escopo estar por escrito antes do início: o que entra, o que não entra e em quanto tempo o diagnóstico é entregue.
Preciso de escritório na minha cidade?
Raramente. O trabalho é documental — contratos, relatório do SCR, séries do Banco Central — e as audiências são majoritariamente por videoconferência. O que pesa é a especialização na modalidade e a capacidade de auditar, não o endereço.
Posso trocar de escritório no meio do caso?
Pode, a qualquer tempo, com a formalização da substituição e o acerto dos honorários devidos até ali conforme o contrato. Se a banca atual promete percentuais, não entrega diagnóstico ou não explica a base do cálculo, trocar cedo costuma custar menos do que seguir.

Janaína Issa Gomes
Advogada inscrita na OAB sob o nº 124.655/MG, dedicada ao direito bancário empresarial. Atua na auditoria de contratos bancários, na gestão e reestruturação de passivos e na proteção patrimonial de empresas com dívidas acima de R$ 100 mil. Escritório em Belo Horizonte, com atendimento em todo o Brasil.
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