Uma das maiores angústias de quem deve ao banco é a possibilidade de ter o salário bloqueado. A boa notícia: a lei protege o salário. A má notícia: existem nuances que você precisa entender para garantir essa proteção.
A regra: salário é impenhorável
O Código de Processo Civil (art. 833, IV) é claro: são impenhoráveis os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família.
Ou seja: o banco não pode penhorar seu salário para cobrar dívida bancária. Ponto.
Mas e o bloqueio via Sisbajud?
Aqui está o problema prático. Quando o banco ganha uma ação de execução, o juiz pode determinar o bloqueio de valores em contas bancárias do devedor pelo sistema Sisbajud (antigo BacenJud). O sistema bloqueia automaticamente — e não distingue entre dinheiro de salário e dinheiro de outras origens.
Isso significa que, na prática, o salário pode ser bloqueado por engano. E acontece com frequência. O dinheiro cai na conta, o sistema bloqueia, e o devedor fica sem recursos.
O que fazer se o salário foi bloqueado
- Prove que é salário: reúna os últimos 3 contracheques, extrato bancário mostrando a origem do depósito (identificado como “salário” ou “folha de pagamento”), e a carteira de trabalho.
- Peça desbloqueio urgente: seu advogado pode peticionar ao juiz pedindo desbloqueio imediato dos valores de natureza salarial. O pedido é analisado com prioridade.
- Solicite a separação de valores: peça ao juiz que determine que futuros bloqueios excluam valores de natureza salarial ou alimentar.
E o pró-labore?
Se você é sócio e recebe pró-labore, a proteção depende da classificação. O STJ tem entendido que pró-labore tem natureza alimentar e, portanto, é impenhorável — mas a jurisprudência não é 100% uniforme. Vale ter documentação organizada que comprove a natureza salarial do pró-labore.
A exceção: valores acima de 50 salários mínimos
O CPC permite a penhora de percentual de salário que exceda 50 salários mínimos mensais. Na prática, isso afeta pouquíssimas pessoas. Para a grande maioria, o salário está integralmente protegido.
Dica prática: se você sabe que pode ser alvo de execução bancária, mantenha a conta onde recebe salário separada de outras contas. Se o salário cai em conta que também recebe receitas da empresa ou outras origens, fica mais difícil provar a natureza salarial de cada valor.
Perguntas frequentes
O banco pode descontar parcela direto do salário sem autorização?
Só se houver autorização expressa de consignação em folha. Sem autorização, o desconto direto é ilegal e pode ser contestado e ressarcido.
Aposentadoria e pensão também são protegidas?
Sim. Têm a mesma proteção que salário — são impenhoráveis para pagamento de dívida bancária.
Teve salário bloqueado por dívida bancária?
Podemos pedir o desbloqueio judicial e proteger seus rendimentos contra novos bloqueios.

