Crédito Empresarial Caro: Como Reduzir Custo Efetivo Total (CET)

“A taxa é de 1,8% ao mês.” Essa frase é, provavelmente, a mais repetida — e a mais enganosa — do crédito empresarial brasileiro. Porque a taxa informada na hora da contratação quase nunca é o custo real do empréstimo. O custo real está no CET — o Custo Efetivo Total — e ele costuma ser significativamente maior.

Se você só olha a taxa nominal, está tomando decisão com informação incompleta. E decisão financeira com informação incompleta costuma custar caro.

O que é o CET e por que importa tanto

O CET (Custo Efetivo Total) é uma taxa que inclui absolutamente todos os custos da operação de crédito: juros, IOF, tarifas, seguros, comissões — tudo. Foi criado pela Resolução 3.517/2007 do BACEN justamente para dar transparência ao custo real do crédito.

O banco é obrigado a informar o CET antes da contratação. Mas na prática, o CET muitas vezes fica perdido em uma planilha ou documento auxiliar, enquanto a taxa nominal (mais atraente) é a que aparece na conversa com o gerente.

Exemplo real:

  • Taxa nominal informada: 1,8% ao mês
  • IOF: equivalente a 0,3% ao mês
  • Seguro prestamista: equivalente a 0,15% ao mês
  • TAC diluída: equivalente a 0,2% ao mês
  • CET real: 2,45% ao mês

A diferença de 0,65 ponto percentual parece pequena. Em um empréstimo de R$ 300 mil por 24 meses, essa diferença representa mais de R$ 40 mil de custo adicional.

Como verificar se o CET do seu contrato está correto

O exercício é simples, mas requer atenção:

  1. Some todos os pagamentos que você fará ao longo do contrato (todas as parcelas + taxas iniciais).
  2. Subtraia o valor que efetivamente entrou na conta da empresa (não o valor contratado — o valor líquido liberado, descontadas tarifas e IOF).
  3. A diferença é o custo total do crédito em reais.
  4. Divida pelo valor liberado e pelo prazo para chegar à taxa efetiva mensal.
  5. Compare com o CET informado no contrato. Se não bater, há problema.

Teste rápido: pegue o valor total das parcelas do seu contrato (parcela × número de meses) e subtraia o valor que foi creditado na conta. O resultado é quanto o crédito custou. Divida pelo valor creditado para ter o percentual. Se for mais de 50% acima da taxa nominal × prazo, o CET provavelmente está escondendo custos.

O CET como ferramenta de comparação e negociação

O CET é a única métrica válida para comparar propostas de crédito. Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter CETs completamente diferentes dependendo de tarifas, seguros e IOF. Sempre compare pelo CET — e sempre por escrito.

Além de comparar entre propostas, o CET é uma ferramenta de negociação com o banco atual. Se o CET do seu contrato vigente é 3,5% ao mês e outro banco oferece 2,2%, apresentar essa comparação ao banco atual costuma gerar uma contraproposta melhor.

Perguntas frequentes

O banco é obrigado a informar o CET?

Sim. Desde 2008, é obrigatório informar o CET antes da assinatura de qualquer contrato de crédito. A falta de informação é irregularidade que pode fundamentar contestação do contrato.

CET alto é a mesma coisa que juros abusivos?

Não necessariamente. O CET pode ser alto por conta de IOF (que é imposto) ou seguros legítimos. Juros abusivos dizem respeito especificamente à taxa de juros acima da média do BACEN. Mas um CET muito distante da taxa nominal indica custos ocultos que merecem investigação.

Quer descobrir o CET real dos seus contratos?

Calculamos o custo efetivo de cada contrato e comparamos com a média do mercado. A diferença pode ser significativa.

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